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Cidade do litoral oeste do Ceará é a maior produtora de coco do Brasil

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O Ceará se consolidou em 2023 como o maior produtor do Brasil de coco-da-baía, como é oficialmente denominado o fruto do coqueiro. Segundo a Produção Agrícola Municipal de 2023 (PAM), pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Estado passou a Bahia em produção de coco ainda em 2020. 

De acordo com a PAM de 2023, o Estado produziu aproximadamente 520 milhões de unidades de coco. Essa produção foi colhida em 42,7 mil hectares (ha), com rendimento médio de 12.146 frutos/ha.

Uma cidade cearense do litoral oeste se destacou na produção de coco em todo o País. 

Paraipaba, localizada na Região Metropolitana de Fortaleza, manteve a liderança nacional que ostenta desde 2020 como o município do Brasil que mais produz coco-da-baía, segundo o IBGE.

No ano passado, o município produziu mais de 171 milhões de frutos, sendo um dos únicos três do País a ter produção superior a 100 milhões de cocos. Há quatro anos, a cidade, que fica a cerca de 100 quilômetros (km) de distância de Fortaleza, mantém a liderança nacional no plantio e colheita do fruto, bem como no faturamento.

Vale lembrar que o Ceará tem destaque na produção de alguns produtos agropecuários. Dentre eles, está o camarão, o caju e a carnaúba, dos quais o Estado é líder nacional. Santana do Cariri, no sul cearense, é ainda o município que mais produz mel de abelha no País. O território estadual fica na quinta posição dentre as unidades federativas brasileiras.

Paraipaba fica a oeste de Fortaleza. Ainda mais ao norte, está a região do Baixo Acaraú, definida por Amílcar Silveira, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), como de importância fundamental na produção de coco por novas tecnologias aplicadas.

“Uma das coisas que melhoraram muito a produção de coco foi o perímetro irrigado. No Baixo Acaraú, tem mais de 4 mil hectares de coco verde irrigado, e a região litorânea norte tem muito coco irrigado. É muito importante, é uma região que chove bem, que tem água no subsolo e faz uma diferença muito grande. O coco é muito importante para nós e para a agroindústria”, define.

Outro ponto destacado por Amílcar é sobre os agricultores beneficiados pela produção do fruto no Estado. Segundo o presidente da Faec, o plantio e a colheita do coco cearense estão relacionados com produtores de porte menor do que as grandes indústrias.

“Tem algumas agroindústrias muito fortes que se instalam aqui produzindo água de coco, e isso é um negócio fantástico. Isso não está relacionado a grandes produtores. A produção de coco, em sua grande maioria, são para pequenos e médios produtores no Ceará, principalmente na região Norte”, ressalta.

Em geral, o fruto plantado no Ceará tem aproveitamento limitado. Isso porque o objetivo da indústria é extrair a água de coco para venda no mercado interno e externo. Em segundo plano, há ainda a retirada da polpa, vendida normalmente em formato seco. 

Amílcar Silveira diz que “o coco está bem remunerado, pois estão pagando cerca de R$ 3 o litro da água de coco”. Apesar disso, ainda é grande o desperdício do fruto, podendo ultrapassar os 70% na indústria beneficiadora, conforme dados de Monalisa Moura, professora de física da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e pesquisadora do alimento.

“O coco é uma das frutas mais populares aqui no Nordeste. Dele pode-se aproveitar quase tudo, desde água, óleo, farinha, leite e até açúcar. No entanto, a conta típica no seu beneficiamento, segundo informações do setor, é de 1 fruto (coco) pesando 1,94 kg, retira-se a água, cerca de 520 ml, e cerca de 1,40 kg é resíduo. Ou seja, o resíduo corresponde, em média, a 73%”, aponta.

O “bagaço”, como pode ser definido o excedente do coco após a extração da água e da polpa, tem várias finalidades, como explica Monalisa Moura. As aplicações podem ser múltiplas e beneficiar diversas indústrias do Estado.

“Folhas e casca podem ser empregadas na indústria alimentícia ou de fabricação de cosméticos; as fibras, na confecção de roupas, chapéus, toalhas; a casca como um adubo natural e proteção do solo, entre outras. Desse resíduo pode se aproveitar muito ainda: para geração de calor na própria indústria, além da produção de bioinsumos”, enumera.

Diversas atividades do Ceará já estudam utilizar o fruto, que ainda tem a menor parte aproveitada pela indústria, para aproveitamento em outras áreas. Duas delas são na ração animal e na geração de energia.

Está em curso um estudo do Núcleo de Tecnologia e Qualidade Industrial do Ceará (Nutec) em parceria com produtores rurais ligados à Faec sobre o desenvolvimento de produtos alimentícios em forma de ração para a pecuária. Criações de bovinos, suínos e aves no Estado, por exemplo, podem receber o insumo.

“Tem pesquisadores do Nutec, com produtores rurais, tentando pegar a casca do coco e fazer dela ração animal. É um grande negócio. Existe uma deficiência no Ceará de subprodutos. Vi o estudo, inclusive, o pessoal já fazendo silagem de bagaço de coco para tentar utilizar como ração animal”, pontua Amílcar Silveira.

Um estudo entre a Uece e a Energia Pecém, usina termelétrica instalada no Complexo Industrial e Portuário (Cipp), pretende criar um carvão mineral híbrido, também chamado de biocarvão. O novo composto em desenvolvimento irá misturar o combustível fóssil com a biomassa do coco, abundante no território cearense.

As pesquisas estão em curso e devem durar até o segundo semestre de 2026, quando haverá definição sobre a viabilidade do carvão híbrido. Estimativas preliminares indicam que a mistura da biomassa do coco com o tradicional carvão mineral pode reduzir as emissões de gás carbônico das termelétricas em pelo menos 45%. Monalisa Moura é uma das professoras que capitaneiam a iniciativa.

Embora a especialista elogie avanços recentes no aproveitamento da cadeia produtiva do coco, Monalisa Moura frisa que o Estado “precisa urgentemente organizar” a indústria e enxergar maior valor agregado no resíduo após a extração da água e da polpa.

“É preciso que o Estado aceite que possui uma vocação na produção desse fruto e que necessita formalizar uma cadeia produtiva do resíduo, pois deve contribuir para o fortalecimento da ‘espinha dorsal’ desse setor da economia e ampliar o impacto, positivamente, na sociedade com o beneficiamento organizado do uso desse resíduo”, defende.

Diário do Nordeste

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