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DO CÉU AO INFERNO

‘Morreu e voltou’: experiências de ‘quase-morte’ reúnem relatos sobre ‘luz’ e ‘escuridão’, ‘cidade linda’ e ‘inferno’

AM

“Morreu e voltou” é uma expressão geralmente usada para alguém que foi declarado clinicamente morto, mas acabou de alguma forma reanimado. A experiência de “quase-morte” (EQM) foi recentemente destaque com o depoimento da americana Brianna Lafferty, de 33 anos, que sofre de um distúrbio neurológico chamado distonia mioclônica. Em determinado momento, seu corpo “desistiu” e Brianna foi declarada clinicamente morta num hospital no Texas (EUA), até ser “trazida de volta à vida” por médicos.

Como foram os oito minutos em que Brianna “esteve morta”? A americana relatou ter ouvido alguém perguntar se “ela estava pronta” antes de entrar em completa escuridão, e antes que sua alma “flutuasse” acima dela e passasse para um lugar onde o tempo não existia.

“Tinha paz”

O caso de Brianna não é isolado, e relatos do fenômeno costumam fascinar. O britânico Kevin Hill, de 57 anos, tem calcifilaxia — uma doença grave e incomum em que o cálcio se acumula em pequenos vasos sanguíneos dos tecidos adiposo e cutâneo.

Certo dia, Kevin apresentou uma hemorragia severa nas pernas que o fez perder cinco litros de sangue e apresentar uma parada cardíaca. Enquanto os médicos tentavam ressuscitá-lo, ele teve a experiência de ver seu corpo morto e retornar à vida.

“Eu não estava olhando para o meu corpo, mas estava separado dele. Era como se eu estivesse no reino espiritual. Eu estava consciente do que estava acontecendo, mas tinha muita paz. Eu sabia que estava sangrando. Eu sabia que era sério. A equipe entrava e saía para estancar o sangramento”, contou o homem, que é escritor, ao “Daily Mirror”.

“Eu sabia que tinha morrido. Eu estava separado do meu corpo. Então eu fui dormir e acordei, vivo e o sangramento havia parado”, relatou o britânico.

“Milagre”

Em janeiro de 2021, a americana Kirsty Bortoft foi encontrada inconsciente no sofá de casa. Ela sofreu uma parada cardíaca, foi declarada praticamente morta e garante que a sua volta à vida foi “um milagre”.

“Percebi que você não morre, apenas o seu corpo segue em frente e que minha missão aqui ainda não acabou. Tudo muda quando você tem uma segunda chance na vida, e sei que não preciso ter medo de morrer de novo. Sem a escuridão, você não sabe o que é a luz, e acredito que estamos aqui para acordar, crescer e refinar nossas vibrações”, disse ela em vídeo viral publicado no TikTok.

Segundo Kirsty, durante o incidente, aconteceu um fato sobrenatural. Uma amiga monge ficou sabendo de uma forma nada mundana que ela estava no hospital.

“Ninguém, além da minha família, sabia o que estava acontecendo. A amiga ligou para a irmã de Kirsty e contou que a amiga (Kirsty) estava pedindo ajuda”, recordou a americana. “Ela disse que viu o meu espírito em sua sala e que eu estava pedindo para ela escrever listas para meus filhos e meu pai. Foi quando minha irmã contou a ela o que estava acontecendo”, acrescentou.

Médico assustado

O americano Tony Davis sonhava se tornar cantor de blues. Ele se mudou para Los Angeles (Califórnia, EUA) para realizar o seu sonho de estrelato. Porém Tony acabou enveredando para o gospel. Uma noite, porém, a vida de Tony iria mudar: sem qualquer explicação, ele foi baleado cinco vezes numa rua de Los Angeles. Das cinco balas, uma atingiu a artéria principal do jovem e ele sangrou no local “até morrer”. Uma ambulância chegou e os socorristas tentaram trazer ele de volta através de ressuscitação cardiopulmonar, mas não tiveram resultados.

“Comecei a flutuar em direção às nuvens. Essas nuvens se abriram e através delas, vi essa cidade enorme. Era tão estranho, mas a cidade era linda. Vi essas cores que nunca tinha visto antes na minha vida, cores estranhas, brilhantes e radiantes”, contou o cantor. “De repente, uma voz disse: ‘Ainda não é a sua hora. Volte. Tony, seu trabalho ainda não acabou. Volte'”, continuou ele.

Após 30 minutos sem batimentos, o médico declarou o americano morto.

“Eu abri meus olhos. Eu olhei para cima. Eu estava no suporte de vida e o longo tubo com traqueostomia estava na minha garganta. O médico estava de pé sobre mim e ele estava prestes a jogar o lençol sobre minha cabeça. Mas ele deixou cair o lençol e saiu correndo do quarto”, relatou Tony, descrevendo o susto que o médico sofreu ao vê-lo vivo.

“Acho que fui para o inferno”

Um estudo conduzido por uma pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) e apresentado em 2024 revelou que pacientes que passam por experiências de quase morte traumáticas podem ter consequências psicológicas que rompem com as certezas existenciais e alteram de forma significativa o fluxo da chamada “vida normal”.

“Faz três anos que eu me afoguei e fui para um lugar horrível. Era escuro e sujo, pessoas gritando e chorando. Tinha um homem que ria enquanto levava muitas pessoas presas numa corrente. Ele me viu e diz que logo iria me levar”, disse um engenheiro católico de 42 anos, não identificado, que acredita ter visitado o “inferno”. “Não gosto de contar isso porque ou acham que sou louco ou então acham que sou uma má pessoa por ter ido pra esse lugar. Eu acho que fui para o inferno. Nada nunca mais foi igual”, emendou ele.

O que diz a ciência

Segundo os pesquisadores, as EQMs são “episódios de consciência desconectada” que ocorrem diante de “ameaça física real ou potencial”. Eles sugerem que esses fenômenos começam quando os níveis de oxigênio caem no cérebro enquanto as concentrações de dióxido de carbono disparam, resultando em “acidose cerebral”.

Desencadeando uma reação que leva ao aumento da excitabilidade neuronal em regiões cerebrais importantes, incluindo a junção temporoparietal e o lobo occipital, acompanhada por liberação maciça de neurotransmissores endógenos. O aumento da sinalização de serotonina, por exemplo, pode ser responsável pelas “alucinações visuais vívidas” que caracterizam as EQMs, enquanto picos nos níveis de endorfina e GABA (ácido gama-aminobutírico, um neurotransmissor inibitório no sistema nervoso central que ajuda a reduzir a atividade neuronal) são teorizados para gerar “uma sensação de paz profunda”, de acordo com estudo publicado na revista “Nature Reviews Neurology”.

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