Após a polêmica envolvendo a remoção de uma pintura histórica na Igreja Matriz de Ubajara, uma tutela cautelar de urgência foi emitida pelo Poder Judiciário do Ceará na última quinta-feira (08/05). A ação solicita a imediata paralisação da reforma das pinturas sacras que compõem o acervo histórico da Paróquia de São José, visando preservar o patrimônio histórico e cultural do município. O padre Carlos Alberto Pereira e o bispo da Diocese de Tianguá, Francisco Edmilson Neves Ferreira, estão qualificados na ação.
A obra “A oração de Jesus Cristo do Horto”, localizada na semicúpula sobre o altar principal da Paróquia de São José, foi removida nesta semana após uma consulta técnica que identificou sinais de desgaste. O padre da Igreja Matriz afirmou que a remoção da pintura foi autorizada pela Diocese de Tianguá para substituição por uma outra obra no estilo barroco.
A pintura removida é uma representação da cena bíblica de Jesus no Monte das Oliveiras. A obra foi desenhada e doada há mais de 65 anos pelo artista plástico Antônio Ribeiro Neto.
Conforme o documento judicial, o pároco e o bispo da Diocese de Tianguá têm cinco dias para contestar o pedido de tutela cautelar de urgência. A ação menciona a definição do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para patrimônio cultural, destacando sua importância para a memória e identidade dos povos.
Considerada um patrimônio afetivo, histórico e cultural para os fiéis de Ubajara, a remoção gerou repercussão negativa não apenas entre os moradores da região, mas também nas redes sociais. A juíza Fernanda Rocha Martins salientou que os bens protegidos na ação fazem parte do patrimônio cultural da cidade, mesmo sem processo de tombamento, e integram a memória da população. Ela destacou ainda evidências de danos ou ameaça de danos devido à omissão na conservação da igreja.
Fonte: ANC



