De Segunda a Sexta – 06h às 07h

FM Maior 93.3

Ouça ao vivo

De Segunda a Sexta – 06h às 07h

DEVOLUÇÃO

INSS tem 15 dias para fazer plano de ressarcimento, ordena TCU

TCU

TCUTribunal de Contas da União) determinou, nesta quarta-feira (7), que o INSSInstituto Nacional do Seguro Social) e o Ministério da Previdência Social apresentem, no prazo de 15 dias, um plano detalhado para a devolução dos  valores descontados indevidamente de aposentados e pensionistas a título de mensalidades associativas.

A decisão foi proferida durante sessão plenária, motivada por denúncias de fraudes apuradas na Operação Sem Desconto.

A medida ocorre após o TCU rejeitar recurso apresentado pelo INSS, que tentava reverter a suspensão de novos descontos associativos em benefícios previdenciários.

A corte manteve a proibição e reforçou a necessidade de apuração administrativa das responsabilidades dos servidores públicos envolvidos, além da identificação das entidades participantes do esquema.

Segundo o despacho do relator, ministro Bruno Dantas, a determinação tem como objetivo preservar o erário e garantir a recomposição financeira dos segurados afetados.

O plano de devolução deverá conter a relação completa dos agentes públicos e entidades associativas envolvidas, com respectivos dados cadastrais e valores obtidos por cada um.

A representação foi protocolada pelo Ministério Público junto ao TCU, por meio do subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, com base nas informações obtidas pela Polícia Federal na investigação que apura fraudes em descontos associativos aplicados sobre aposentadorias e pensões entre 2019 e 2024.

Estima-se que o prejuízo tenha alcançado R$ 6,3 bilhões nesse período, afetando cerca de 4,1 milhões de beneficiários.

De acordo com auditoria da CGU (Controladoria-Geral da União), aproximadamente 97% dos descontos analisados não contavam com autorização expressa dos segurados.

As irregularidades incluem falsificação de assinaturas, filiação múltipla a entidades no mesmo dia, e falhas nos controles internos do INSS, como a liberação de descontos em lote sem conferência individual.

O volume de descontos cresceu significativamente a partir de 2022. Em 2019, o montante anual foi de R$ 604 milhões, subindo para R$ 706 milhões em 2022, R$ 1,2 bilhão em 2023 e R$ 2,8 bilhões em 2024. Do total de R$ 6,3 bilhões, R$ 4,1 bilhões (63,75%) foram descontados nos dois últimos anos.

Entre os investigados estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, demitido em abril de 2025, e o ex-procurador-geral do órgão, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, afastado por decisão judicial.

A esposa deste último, Thaisa Hoffmann Jonasson, recebeu R$ 7,5 milhões de intermediários do esquema, além de um veículo de luxo. Outros quatro servidores e um policial federal também foram afastados.

O operador financeiro do esquema, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, movimentou R$ 53,5 milhões, dos quais R$ 9,3 milhões foram repassados a servidores e empresas ligadas à administração do INSS.

Pelo menos 11 entidades foram alvos de medidas judiciais, entre elas a Caap (Caixa de Assistência dos Aposentados e Pensionistas), a AAPPS Universo (Universo Associação de Aposentados e Pensionistas), e o Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados).

Este último é ligado a José Ferreira da Silva, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e nega irregularidades.

O esquema teve origem na legislação de 1991, que autorizou os descontos associativos, e ganhou escala a partir de 2016. Entre 2018 e 2020, auditorias internas já apontavam fraudes, mas as investigações não avançaram.

Em 2020, uma instrução normativa flexibilizou os critérios para formalização de Acordos de Cooperação Técnica, o que favoreceu a proliferação das irregularidades.

Em 2023, durante o atual governo, a CGU identificou novamente o problema, mas a suspensão dos descontos só ocorreu em abril de 2025, após a deflagração da Operação Sem Desconto, que cumpriu 211 mandados de busca e apreensão, prendeu seis pessoas e apreendeu bens como carros de luxo, joias e dinheiro em espécie.

A operação foi conduzida pela Polícia Federal em conjunto com a CGU, em 13 estados e no Distrito Federal.

O então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT-RJ), pediu demissão em 2 de maio de 2025, após críticas sobre a demora em adotar medidas.

IG

Compartilhe essa notícia:

Busca

Outras notícias

Mais lidas

Programa do Rochinha
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.