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CHUVA

‘Água até na cintura em casa’: moradores da Aerolândia relatam prejuízos históricos após chuvas em Fortaleza

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Sempre que chove forte, é certo: ruas e avenidas do bairro Aerolândia, em Fortaleza, vão alagar. A certeza angustiante do jornalismo que documenta, ano a ano, o mesmo problema é sentida de forma concreta por moradores que acordam imersos na água e nos prejuízos históricos.

Na manhã desta sexta-feira (28), após a capital receber uma das maiores precipitações desde 1950, diversas ruas do bairro viraram espelhos d’água, levando o líquido em ondas para dentro das casas das famílias.

“Ano passado, já perdi guarda-roupa, cômoda e fogão. A gente sobe as coisas, mas não tem jeito não. Vou fazer o que, né? Não adianta tirar água, não tem pra onde jogar”, conforma-se a diarista Marciana Lopes, que viu a água entrar em casa às 3h da manhã desta sexta (28).

Próximo à casa dela, a rua Capitão Clóvis Maia chegou a ser interditada pelos próprios moradores, que esticaram faixas de borracha entre uma calçada e outra para impedir a frustração de motoristas que tentassem se aventurar na “lagoa”.

Apesar de recorrente, o alagamento não atingia esse nível há cerca de dois anos, como testemunha Vera Bezerra, 69, moradora do bairro há mais de quatro décadas. “Prometer resolver todos prometem, mas não tem jeito, o rio tá bem aí. Depois que fizeram essa Raul Barbosa piorou. Cheguei aqui nem existia ainda, não era asfaltado”, relembra.

Enquanto os raios e trovões assustavam uma parte da população na madrugada de sexta-feira (28), a subida rápida do nível da água dentro de casa despertava a autônoma Maisa Lopes, 65.

“A água tava até na cintura dentro de casa. Aí a gente faz o quê, liga pra quem? Pra Deus, né? Acordamos de manhã e já tava cheio. Fazia tempo que não acontecia essas enchentes, a gente tava achando até que não ia mais acontecer”, lamenta.

Durante a manhã, a água invadiu a área da casa de Maisa, e não avançou para a sala devido a um batente, recurso que a maioria das residências do bairro já construiu. Em cabides, algumas roupas que a idosa vende em um brechó foram molhadas.

Para fugir do problema recorrente, há quem se mude para áreas mais altas da Aerolândia. Foi o caso de Lucivania Silva, 46, que passou “17 anos dentro d’água”, até migrar para uma casa duplex.

“Tem casa aqui que fica com a água no peito”, diz, em uma rua alagada próxima de casa. “Eu já sofri muito. Você compra um guarda-roupa, uma cama, parcela em não sei quantas vezes, e perde tudo. A gente sofre, viu?”, reforça.

Em 24 horas, a Defesa Civil de Fortaleza registrou 204 ocorrências devido às fortes chuvas. Somente das 19h de quinta-feira às 7h de sexta, foram 115 alagamentos, dois desabamentos – nos bairros Messejana e Passaré – e um risco de desabamento, na Vila Peri.

DN

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