O bom desempenho na administração do governo cearense deve garantir uma vitória tranquila do petista Camilo Santana na disputa por uma vaga no Senado, aponta pesquisa Vox Populi encomendada por CartaCapital.
Se a eleição fosse hoje, o ex-governador teria 68% dos votos. O Pastor Paixão, do PTB, é o preferido de 4%. José Alberto Bardawill, do PL, partido de Bolsonaro, tem 3% e Marcelo Mendes, do Avante, 1%. Brancos e nulos chegam a 16%. Outros 7% não souberam ou não quiseram responder.
O Vox Populi também avaliou a passagem de Santana pelo governo do estado. O seu desempenho na administração é aprovado por 77%, contra 19% de reprovação. Os entrevistados que não souberam ou não quiseram responder somam 4%.
A pesquisa perguntou ainda a opinião dos cearenses sobre a gestão da pedetista Izolda Cela, vice-governadora que assumiu o comando do estado após o desligamento de Santana para concorrer à vaga no Senado. A atual administração tem a aprovação de 54%, contra 29% de reprovação, enquanto 17% não souberam ou não quiseram responder.
O ex-presidente Lula, do PT, soma 56% das intenções de votos no Ceará, segundo pesquisa do Vox Populi encomendada por CartaCapital. Jair Bolsonaro, do PL, tem 21%, enquanto Ciro Gomes, do PDT, aparece com 13% no estado onde fez carreira política. André Janones, do Avante, é citado por 2% dos entrevistados, Simone Tebet, do MDB, por 1%. Felipe D’Ávila, do Novo, não pontuou. Brancos e nulos somam 5%. Outros 2% não souberam ou não quiseram responder.
Lula bate com folga Bolsonaro em quase todas as faixas de renda, escolaridade e gênero. Sua maior vantagem se dá entre os eleitores com ensino fundamental: 65% a 16%. Os cearenses que ganham até dois salários mínimos também expressam uma enorme predileção pelo petista: 61% a 17%. As mulheres, idem: 60% a 16%. Na faixa de renda acima de cinco salários mínimos, registra-se um empate técnico. Lula soma 37%, Bolsonaro 36%.
No voto espontâneo, sem a apresentação ao entrevistado de uma lista prévia de candidatos, o petista é citado por 47%. Bolsonaro tem 19% e Ciro Gomes, 5%. Os demais candidatos somam, juntos, 1%. Brancos e nulos chegam a 6%, enquanto 2% não souberam ou não quiseram responder.
Ao contrário da disputa presidencial, cada vez mais afunilada entre Lula e Jair Bolsonaro, sem espaço para a “terceira via”, a eleição a governador na maioria dos estados segue um jogo aberto. A falta de lideranças incontestes, a dispersão de candidaturas e a participação de nomes pouco testados nas urnas aumentam o peso dos padrinhos políticos. Não é diferente no Ceará, aponta pesquisa do Vox Populi encomendada por CartaCapital.
O caso mais emblemático é o de Izolda Cela, do PDT, que assumiu o governo cearense após o desligamento do petista Camilo Santana para disputar uma vaga ao Senado. Desconhecida por 46% do eleitorado, a pedetista não só assume a liderança da corrida estadual como teria chances de vencer ainda no primeiro turno, segundo a simulação em que seu nome é associado a quatro padrinhos de projeção nacional: o ex-presidente Lula, Santana, de quem era vice, e os irmãos Cid e Ciro Gomes. Neste cenário: a governadora alcança 54% das intenções de votos, contra 30% de Capitão Wagner, filiado ao União Brasil e apoiado por Jair Bolsonaro.
Quando o nome de Cela é apresentado aos eleitores sem essa associação, o desempenho da candidata despenca. Ela aparece 20 pontos percentuais atrás de Wagner: 48% a 28%. Nesta situação, em que os candidatos não são perfilados ao lado dos “cabos eleitorais”, o mais competitivo nome do campo progressista é de outro pedetista, Roberto Cláudio, ex-prefeito de Fortaleza. Em um dos cenários, sem a presença de mais postulantes, Claudio empata tecnicamente com Wagner: soma 37%, contra 39% do bolsonarista.
A ruptura nacional entre Lula e Ciro e as divergências em relação à escolha do candidato ao governo estadual ameaçam a longeva e bem-sucedida aliança entre o PT e os irmãos Gomes no Ceará, que tem garantido vitórias eleitorais nas últimas duas décadas. Ciro e Cid preferem Cláudio, os petistas inclinam-se por Cela. As negociações continuam.
Segundo a pesquisa, os padrinhos mais influentes são Lula, que aparece com 56% das intenções de votos no Ceará, e Camilo Santana, citado por 68% dos entrevistados na disputa ao Senado. Além de Cela, três petistas avaliados no levantamento, todos deputados federais, assumem a liderança da corrida estadual quando associados ao ex-presidente e ao ex-governador. Luizianne Lins e José Airton chegam a 39%. José Guimarães, a 36%. Sem as menções aos apoiadores, o trio amarga terceiras colocações, bem atrás de Wagner e Cláudio. Luizianne tem o melhor resultado neste cenário, 19%. Airton aparece com 10% e Guimarães, com 8%.
Bolsonaro, ao contrário, é uma âncora para o Capitão Wagner. O pré-candidato do União Brasil cai da faixa próxima aos 40% para menos de 30% quando associado ao presidente da República, que alcança 21% de intenções de votos no Ceará e cujo desempenho no comando do País é reprovado por 65% dos eleitores do estado.
Wagner e Cláudio são os dois pré-candidatos menos rejeitados: 39%. Cela aparece em seguida, com 40%. Luizianne Lins (53%), Airton (55%) e Guimarães (65%) completam a lista.
No voto espontâneo, quando o entrevistado é instado a citar um nome sem a apresentação de uma lista prévia, Wagner soma 11%. Santana, que não é candidato, aparece com 6%. Cela tem 5% e Cláudio, 3%.
O levantamento ouviu 1.304 eleitores cearenses, em 76 municípios, entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro é de 2,7%, para mais ou para menos. O intervalo de confiança é de 95%. A Pesquisa foi registrada no TSE sob o Nº CE-07608/2022.
Carta Capital







