De Segunda a Sexta – 06h às 07h

FM Maior 93.3

Ouça ao vivo

De Segunda a Sexta – 06h às 07h

“Estou vendendo"

Homem vende esculturas de “cocô” no Centro de Fortaleza: “Estou vendendo bosta”

1_vendedor___de__coco___em___frente___ao___ijf___13_-22549792

Todos os dias Renan Gondim, 39, e Geovana Faheina, 41, passam pela rua Barão do Rio Branco, no Centro de Fortaleza, para irem ao trabalho. No trajeto, eles sempre viam um senhor vendendo um material estranho na calçada. Nesta quinta-feira, 6, a curiosidade falou mais alto, e eles decidiram parar e perguntar o que o homem estava vendendo. “Estou vendendo bosta”, respondeu.

“Como assim você vende bosta?”. O vendedor então explicou: “Estou usando meu talento”.

O cocô não é de verdade. É uma escultura feita com papelão e outros materiais encontrados no lixo. Elas custam em torno de R$ 5, mas variam de acordo com o tamanho. O dinheiro da venda dos produtos, no entanto, não é o suficiente para pagar por uma moradia.

“Uma vez meu pai me disse: ‘Quando a situação estiver ruim, meu filho, venda merda, mas não roube’. ‘Tô’ eu aqui, sem concorrência, e bola para frente”, diz Honovo Carneiro, 55, o responsável pelas criações.

Ele está em situação de rua há cerca de 12 anos, e a razão teria sido uma enchente no bairro Aerolândia. “Rapaz, na época muitas famílias ficaram desabrigadas, foi uma enchente grande. O [meu filho] mais velho sabe dessa história. Perdemos muitas famílias, dormimos na rodoviária, é uma história longa”, desconversou.

“Essa enchente me deixou nessa merda”, diz vendedor de escultura de papelão em formato de cocô

Na época da enchente relatada por Honovo, ele conta que não tinha nenhum problema com álcool ou drogas, mas a enchete o “deixou na merda”. “Na rua, o veneno é grande.”

De acordo com pessoas que trabalham na região, ele está morando na rua Barão do Rio Branco há cerca de seis meses. “Ele é uma pessoa incrível, maravilhosa. Muita gente tem preconceito com moradores de rua, [imaginam] que são agressivos, mas ele não. É super brincalhão. Se dá bem com todo mundo”, diz Hariel Victor, 21, funcionário de uma loja de variedades perto do local.

“Tem um italiano que uma vez por semana vem comprar [o cocô]”, diz Hugo Lourenço, 36, dono de uma gráfica da rua. “Eu até brinquei, perguntei para o italiano: ‘Você acha bacana o trabalho dele?’. Ele me disse que [Honovo] era um artista. Tinha até mandado [as esculturas] para um amigo da Itália.”

Saiba como ajudar homem que vende esculturas de “cocô”

Honovo não tem celular e nenhuma outra forma de contato. Ele pede, para quem quiser ajudá-lo, que vá até a rua Barão do Rio Branco, em frente do Instituto Doutor José Frota (IJF), e lhe faça uma doação.

Ele diz que a ajuda não precisa ser em dinheiro, pode ser um prato de comida ou materiais para as suas obras.

O Povo

Compartilhe essa notícia:

Busca

Outras notícias

Mais lidas

Programa do Rochinha
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.