Quando estudava na Universidade Estadual da Geórgia (EUA), Dylan Stone-Miller precisou de dinheiro para contratar um advogado após ser preso por consumir bebida alcoólica sem ter a idade legal. Para resolver a questão, ele começou a doar sêmen, a US$ 100 dólares cada amostra.
E não parou mais. De acordo com os seus cálculos, ele forneceu material para a geração de 96 crianças, mas o número pode ser maior.
Neste verão, Dylan, aos 32 anos, fez uma jornada de 14,5 mil quilômetros para conhecer algumas das crianças que ele ajudou a trazer ao mundo. A odisseia pelos EUA e pelo Canadá tem como objetivo descobrir como ele se encaixa na vida dos meninos e meninas que gerou.
Tudo começou há três anos, quando ele viu pela primeira vez a foto de um dos seus filhos biológicos, um bebê chamado Harper, que tinha os olhos azuis e os cachos loiros da irmã de Dylan. Ele se emocionou e teve sentimentos inesperados de paternidade.
“Penso nela como a minha primeira filha”, disse o americano, de acordo com reportagem no “Wall Street Journal”. Ele conheceu Harper quando ela tinha 3 anos e decidiu que queria promover relacionamentos com o maior número possível de crianças. Ele já esteve duas vezes com Harper.
Dylan largou o emprego como engenheiro de software e financiou sua busca com economias. Até agora, ele já conheceu 25 dos seus filhos biológicos. Como o rastreamento da descendência de um doador nem sempre é confiável, “nunca saberei ao certo quantos filhos tenho”, lamentou ele.
Meses depois de Dylan e a sua esposa (com quem teve um filho) se separarem, em 2020, uma estranha enviou uma mensagem para ele:
“Eu realmente espero que você não se sinta invadido de forma alguma, mas é Dia de Ação de Graças canadense e eu queria dizer o quanto minha família é grata a você”, escreveu Alicia Bowes, uma das duas mães de Harper, que tem uma irmã, Harlow, também gerada com o material genético do doador. Ela rastreou Dylan pelas redes sociais e por pistas do arquivo de doadores.
Dylan abriu a página de Alicia no Instagram e viu a foto de Harper. Dias depois, ele perguntou a Alicia se ele poderia se juntar a um grupo de pais no Facebook chamado Xytex 5186 Offspring, em homenagem ao seu ID de banco de esperma. Ela concordou em formar um novo grupo para os interessados. Quando ele disse ao grupo que queria conhecer os filhos, os pais de 20 deles responderam positivamente. A maioria dos pais do grupo são casais de mulheres ou mulheres solteiras, refletindo uma tendência na indústria dos bancos de sêmen.
A jornada paternal de Dylan deve terminar em setembro e, por enquanto, ele mantém um registro dos nomes, idades e aniversários das crianças, bem como uma anotação de quando as viu ou falou pela última vez.
Alicia, por sua vez, disse ao “Wall Street Journal” que, embora ela tenha entendido melhor Dylan, ela percebe que ele ainda é um estranho, e citou casos “esquisitos” durante as visitas, como o desejo de fazer uma tatuagem para marcar a morte do irmão mais velho de Harper e Harlow, Huxley.
“Não quero que Harper sinta que pode chamá-lo de qualquer coisa”, disse Alicia, precavida. “Ele não é o pai dela. Ponto final. Se ela dissesse isso na nossa frente, diríamos diretamente: ‘Dylan não é seu pai. Ele nunca será seu pai. Você não tem pai. Você tem um doador’. Precisamos manter barreiras suficientes para proteger as nossas meninas e a nossa família, mas torná-las permeáveis o suficiente para que ele possa entrar. Há momentos em que Dylan parece intruso. É sobre nós descobrirmos quais são os limites, assim como ele descobrir os seus limites”, acrescentou.
A mãe de Dylan, Rebecca Stone, disse que não tem uma resposta para o motivo pelo qual seu filho está tão interessado em localizar os seus filhos biológicos, além do motivo que ele deu ao jornal de Nova York: “Eu queria ver as crianças crescerem”. Mas ela se diz feliz ao ver as fotos dos “netos”.
“Posso ver traços de Dylan em quase todas as crianças”, afirmou. “Muitos deles são loiros e têm olhos azuis como ele. Posso ver a centelha, a centelha que ele sempre teve”, completou ela, que é divorciada do pai do doador.
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