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Com aval de Lupi, governo Lula oferece cargo a Cid, isola Ciro e acirra racha na família Gomes no Ceará

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O governo Lula acertou a nomeação para o comando da Companhia Docas do Ceará de Lúcio Gomes, indicado pelo senador Cid Gomes, com o objetivo de enfraquecer Ciro Gomes, irmão dos dois, em meio a um racha na família. Ciro e Cid disputam o comando do PDT no Ceará. O parlamentar lidera um grupo que tenta tirar o deputado federal André Figueiredo, aliado de Ciro, do diretório estadual do partido.

Figueiredo é também o presidente nacional em exercício do PDT desde janeiro, quando Carlos Lupi se licenciou para assumir o Ministério da Previdência. Lupi, contudo, assumiu a dianteira nas conversas para que a sigla entre na base do governador Elmano de Freitas (PT), movimento que tem a resistência dos aliados de Ciro. O ministro da Previdência se reuniu na terça com o titular da pasta de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, para alinhavar a distribuição de cargos.

No encontro, Lupi elogiou a indicação de Lúcio Gomes e afirmou que conduzirá com Cid, Elmano e com o ministro da Educação e ex-governador do Ceará, Camilo Santana (PT), as tratativas para “colocar o partido na base do governo” estadual. O GLOBO teve acesso às declarações ao telefonar para Lupi durante a reunião. Procurado posteriormente, o ministro não se pronunciou.

Além de Lúcio, outros dois irmãos de Ciro sinalizaram alinhamento com Cid na disputa pelos rumos do PDT no Ceará. O prefeito de Sobral, Ivo Gomes, e a deputada federal Lia Gomes compareceram ao encontro da ala que apoia Cid, na terça-feira, em Fortaleza.

Majoritária no partido, a ala do PDT que costura a passagem do comando estadual para Cid busca reconstruir a aliança local com o PT, rompida por conta das críticas de Ciro a Lula. A avaliação interna no PDT é que a intransigência do grupo de Ciro pode desidratar o partido nas eleições municipais de 2024. No encontro com Padilha, Lupi elogiou Ciro e sua plataforma nacional, com críticas ao modelo petista, mas cobrou maior senso prático do correligionário. Para ilustrar seu argumento, o ministro da Previdência disse que Ciro é “capaz de desenvolver um projeto para a Nasa”, mas que teria incapacidade de resolver questões simples, como “colocar uma chave no buraco da fechadura”.

Lupi citou a prefeitura de Fortaleza como prioridade do PDT no ano que vem. O atual prefeito, Sarto Nogueira, é apoiado por Ciro, mas enfrenta resistências no PT e ainda não tem apoio no PDT para disputar a reeleição. O grupo de Cid busca acordo com o PT para, caso não seja possível evitar uma candidatura petista, ao menos garantir que o governo e o Planalto não entrem de cabeça numa disputa contra o PDT. Em 2020, o PT lançou Luizianne Lins à prefeitura de Fortaleza sem apoio explícito do então governador Camilo Santana, à época aliado do PDT.

O grupo alinhado a Cid no PDT convocou uma reunião do diretório estadual para discutir, no próximo dia 7, a destituição de Figueiredo do comando partidário no Ceará. Embora venha acenando positivamente a uma aliança com o PT cearense, Lupi prefere que se encerre o mandato de Figueiredo no diretório, em dezembro, para só depois haver a passagem de comando para Cid. Figueiredo integra o PDT desde os anos 1980 e é aliado de longa data de Lupi.

O problema de esperar até o fim do ano é que o PDT está deixando de ser um partido atrativo e abrindo a oportunidade de que nossos prefeitos e lideranças locais sejam cooptados por outros partidos — disse o deputado federal Eduardo Bismarck (PDT-CE).

Um dos integrantes da comissão formada por aliados de Cid, Bismarck lembra que ele próprio e outros membros desse grupo fizeram campanha no ano passado para Roberto Cláudio (PDT), candidato escolhido por Ciro para disputar o governo do Ceará contra a vontade do irmão, que optou pela neutralidade.

Cláudio, ex-prefeito de Fortaleza e padrinho político do atual prefeito Sarto Nogueira, é um dos mais resistentes no PDT a uma aliança com o governo petista. Na semana passada, Cláudio se referiu à articulação de aliados de Cid para assumir o diretório estadual como “tentativa de golpe”. A declaração acirrou os ânimos no partido às vésperas de um encontro regional do PDT, realizado em Fortaleza na última sexta, e que acabou boicotado por Cid.

O Globo

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