Mesmo com o desemprego em baixa e a renda em alta, o número de brasileiros inadimplentes segue em crescimento. Em outubro, pelo segundo mês consecutivo, 73,1 milhões de pessoas não conseguiram quitar suas contas, segundo dados da Serasa obtidos com exclusividade pelo Estadão.
Esse é o segundo maior índice de inadimplência registrado na série histórica iniciada em 2016, ficando atrás apenas de abril deste ano, quando o total alcançou 73,4 milhões. Em janeiro, o número era de 72,9 milhões.
Inflação, juros altos e mudança de consumo pressionam orçamento familiar
Especialistas apontam que a alta da inadimplência está relacionada a fatores como o aumento da taxa básica de juros a partir de setembro, a escalada da inflação de alimentos — especialmente carne bovina — e o redirecionamento do consumo das famílias. Entre os novos focos de gastos estão serviços como jogos eletrônicos e apostas (bets), que têm corroído o orçamento doméstico.
“O orçamento das famílias tem enfrentado dificuldades crescentes para manter os pagamentos em dia”, avalia Fabio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Tendência de curto prazo preocupa economistas
Bentes destaca que o aumento da inadimplência é uma tendência observada em diferentes indicadores, sejam dívidas em atraso ou a própria capacidade de pagamento das famílias. “Independentemente do indicador utilizado, houve uma tendência de alta no curto prazo”, afirmou.
A situação reforça a necessidade de medidas que auxiliem na redução dos juros e no controle da inflação, enquanto as famílias enfrentam os desafios de reorganizar suas finanças em um cenário econômico ainda instável.
*Com Estado de S. Paulo



