De Segunda a Sexta – 06h às 07h

FM Maior 93.3

Ouça ao vivo

De Segunda a Sexta – 06h às 07h

Economia

Alta do dólar pode gerar um aumento no preço da gasolina

1_22052023ea_25-28062743

O dólar fechou a terça-feira (2/7) cotado em R$ 5,666, uma alta de 0,22%, com o valor mais alto desde janeiro de 2022. O aumento da moeda norte-americana impacta diretamente o bolso dos brasileiros, e vai significar um aumento no valor dos combustíveis nas próximas semanas.

Além da alta no dólar, a Petrobras anunciou um reajuste no preço do querosene de aviação, colocando no radar uma possível alta na gasolina. O movimento foi impulsionado pela elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os chamados “treasuries”, no mercado internacional.

O economista e especialista em direito tributário Victor Ludwig explica que existem quatro pilares que impactam diretamente no preço do combustível. “O primeiro pilar é o preço do barril de petróleo, que é cotado em dólar. Logo, a segunda variável é o preço do dólar. A terceira variável são impostos e a quarta variável é a eficiência logística”, diz Victor.

Ele esclarece que o mercado de combustível é um pouco diferente de outras commodities, como os agrícolas. “No mercado de combustível, você compra os insumos em dólar e vende em reais. No mercado agro, você compra insumos em reais e vende em dólar. Por isso que a alta do dólar favorece o agro, mas não favorece nenhum outro mercado de commodities aqui, exceto o agro”, explica.

Desde 1º de janeiro deste ano até agora (2/7), o preço do barril de petróleo Brent teve um aumento de 14,04%. O aumento, combinado com a alta de mais de 15% do dólar acumulada desde o início do ano, contribui para a elevação dos preços dos combustíveis no Brasil. “As empresas brasileiras compram esse petróleo refinado, o Brent, em dólar e vendem em reais, desta forma, claramente haverá um repasse desses aumentos”, afirma o economista.

O especialista esclarece que os preços do óleo diesel e da gasolina no Brasil são afetados por um conjunto de fatores econômicos e de mercado. “Atualmente, há uma defasagem média de -13% no óleo diesel e de -15% na gasolina. Esta defasagem representa a diferença entre o preço praticado no mercado interno e o preço de paridade de importação (PPI). Com essa defasagem, os preços internos estão abaixo dos preços de importação, indicando que haverá um ajuste em algum momento”, pontua. 

Segundo o economista, a taxa PTAX, que é a taxa de câmbio oficial calculada pelo Banco Central do Brasil, fechou a última sessão em um patamar elevado, pressionando os preços domésticos de produtos importados. Atualmente, o câmbio está em R$5,55/US$, o que encarece os produtos importados, especialmente os combustíveis.

Outro ponto que impacta é a oferta apertada de petróleo que pressiona os preços futuros. No momento, os barris do Brent estão sendo negociados acima de US$86 por barril. A oferta limitada, causada por conflitos geopolíticos e decisões da OPEP+, eleva os preços.

“A defasagem indica que os preços internos estão artificialmente baixos em comparação com os preços de importação, criando uma pressão de alta. O câmbio elevado e a oferta apertada de petróleo sugerem que os preços dos combustíveis importados continuarão a subir. Esse aumento nos preços dos combustíveis impacta os custos de transporte e produção de bens e serviços. Como resultado, os preços dos produtos finais também sobem, contribuindo para a inflação geral”, diz Victor.

“Para combater a inflação, o Banco Central do Brasil pode aumentar a taxa Selic, a taxa básica de juros. Uma Selic mais alta visa conter a inflação, reduzindo a demanda agregada na economia. No entanto, isso pode desacelerar o crescimento econômico, o que é uma preocupação significativa em ano eleitoral, com as eleições municipais se aproximando em outubro”, conclui o especialista.

Compartilhe essa notícia:

Busca

Outras notícias

Mais lidas

Programa do Rochinha
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.