De Segunda a Sexta – 06h às 07h

FM Maior 93.3

Ouça ao vivo

De Segunda a Sexta – 06h às 07h

mundo

Japão usa fertilizante de fezes humanas que é barato, mas o cheiro

voce-comeria-comida-adubada-com-xixi-1685542259987_v2_900x506

O Japão resgata uma alternativa, utilizada no passado, para vencer as dificuldades de importação de fertilizantes químicos da Ucrânia. É o uso de fertilizante de fezes humanas, que tem garantido as plantações do país a custo baixo. A utilização está a todo vapor em várias regiões, ultrapassando inclusive a venda dos fertilizantes convencionais.

Os japoneses chamam o recurso de tradição com o nome de “shimogoe” ou “fertilizante do fundo de uma pessoa”. No entanto, a alternativa encontra muitos críticos que afirmam ser um processo caro, embora o valor final seja barato, com odor desagradável e bem trabalhoso na aplicação.

Com as redes de esgoto e estações de tratamento, assim como dos fertilizantes químicos, o costume deixou de ser usado no Japão. Mas as vendas de shimogoe aumentaram 160% nos últimos meses em várias regiões do país.

O governo do Japão incentiva o ressurgimento da técnica em decorrência com as preocupações com a segurança alimentar desde a invasão da Rússia na Ucrânia, região de onde saem os fertilizantes para o mundo

O Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca espera dobrar o uso de esterco animal e dejetos humanos até 2030, com a meta de que representem 40% de todo o uso de fertilizantes no Japão.

Em Miura, nos arredores de Tóquio, caminhões a vácuo transportando dejetos humanos chegam um após o outro a uma instalação de tratamento.

A água é removida e as bactérias fermentam os sólidos restantes em enormes tanques.

O metano produzido durante o processo é queimado para fornecer água quente e eletricidade à instalação, e o produto final é um pó semelhante ao solo que pode ser espalhado nos campos.

“Este fertilizante é particularmente bom para vegetais folhosos, como repolho”, disse Kenichi Ryose, gerente de instalações do Centro de Biomassa Miura.

O mau cheiro é um desafio, segundo o agricultor Nobuyoshi Fujiwara, que administra uma fazenda de alface em Yokosuka, ao norte de Miura.

Ele começou a usar shimogoe no ano passado, “porque queria cortar custos e pelo bem social” da reciclagem de lixo.

“Não podemos usá-lo em campos perto de casas, porque há reclamações sobre o cheiro”, disse.  “Também é preciso espalhar quatro ou cinco vezes o volume que usa com fertilizantes químicos comuns.”

Independentemente da polêmica e queixas, o empresário Toshiaki Kato disse que, pela primeira vez desde que começou a produzir o fertilizante em 2010, o produto esgotou.

“Nosso fertilizante é popular porque é barato e está ajudando os agricultores a reduzir custos crescentes”, disse. “Também é bom para o meio ambiente”, afirmou contrariando os críticos.

O fertilizante é produzido por meio de uma combinação de lodo de esgoto tratado de fossas sépticas e dejetos humanos de fossas, o fertilizante sai por 160 ienes (US$ 1,10) o pacote com  15 quilos.

De acordo com os comerciantes, este valor é um décimo do preço dos produtos feitos com matérias-primas importadas.

Na região de Saga, no sudoeste do Japão, as autoridades relatam que as vendas aumentaram de duas a três vezes.

Segundo as autoridades, há até grupos de turistas querendo conhecer o produto para poder aplicar nas áreas onde vivem.

Shimogoe foi um fertilizante essencial na era o pré-moderna do Japão, disse Arata Kobayashi, um especialista em fertilizantes.

De acordo com o especialista, no início do século 18, um milhão de habitantes de Tóquio – então chamada de Edo – “produziam” cerca de 500.000 toneladas de fertilizantes por ano.

“Todos se beneficiaram com o sistema de reciclagem”, disse Kobayashi. “Não criaram um sistema de reciclagem de propósito, foi o resultado de todos em busca do lucro”.

Só Notícia Boa

Compartilhe essa notícia:

Busca

Outras notícias

Mais lidas

Programa do Rochinha
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.