Em reunião do PL nesta quinta-feira, 6, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se opôs, publicamente, à decisão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de apoiar a proposta de reforma tributária defendida pela gestão do presidente Lula (PT).
“É pra chamar atenção mesmo, aquele grito, aquele tapa na mesa, não dá, pô”, prosseguiu. “Ontem muita gente ficou chateada com o Tarcísio, até eu, mas vamos conversar, conversei com ele”.
O ex-mandatário afirmou ainda que se a proposta não “não fizer justiça e diminuir a carga tributária, a tendência [do PL] é votar contra”.
“Não queremos, nessa proposta que está aí, dizer que vai ser melhorada por emendas. Não tem garantia nenhuma de aprovação. O que o Tarcísio está expondo, e eu conversei longamente com ele, é de essas possíveis emendas entrarem, agora, no corpo da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) junto ao relator. E não dá para fazer a toque de caixa”, completou o ex-presidente.
Além do discurso proferido no encontro da legenda, Bolsonaro utilizou sua conta oficial do Twitter para reforçar o posicionamento contrário à reforma e tecer críticas ao governo Lula.
“O PT não defende os mais pobres (na Câmara votaram contra o parcelamento dos precatórios, quase inviabilizando o Bolsa-Família passar para R$ 600,00). Quando zeramos os impostos da gasolina, diesel, álcool e gás, o PT votou contra no Senado”, escreveu nesta quinta-feira, 6.
O governador de São Paulo foi um dos principais nomes de resistência à reforma tributária, contudo, baixou a guarda e disse concordar com “95% do que está sendo discutido”. A quebra de tal resistência se deu após reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta quarta-feira, 5.
“A espinha dorsal da proposta – tributação de base ampla, o IVA [Imposto sobre Valor Adicionado] dual, a arrecadação no destino, a transição federativa – tem a concordância. Sempre teve a concordância de São Paulo. O que a gente sempre ponderou foram questões pontuais. A gente concorda com 95% da reforma”, pontuou Tarcísio ao lado de Haddad.
O republicano sugeriu que fossem feitas alterações na proposta, como por exemplo, que a segmentação do Fundo de Desenvolvimento Regional e Social (FDRS), da União, ocorra de acordo com o número de pessoas atendidas em cada unidade da Federação pelo Bolsa Família.
O benefício, que é distribuído aos estados mais vulneráveis, tem recursos estimados entre R$ 40 bilhões e R$ 75 bilhões.
Além disso, o governador paulista reforça a necessidade de modificações na configuração e nas atribuições do Conselho Federativo, órgão com responsabilidade de arrecadar o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) — que unificará o ICMS (estadual), o ISS (municipal) e outros tributos. Tarcísio estima que o peso da população de cada ente federativo seja levado em consideração na composição do conselho.
O Povo



