Há quase 40 anos, desde quando começou a ser visitado por moradores do município de Alenquer, no oeste do Pará, o conjunto de ruínas de milhões de anos de idade no meio da Amazônia atrai visitantes de todos os cantos do Brasil e também do exterior que querem ver de perto as pedras de diferentes formatos e de até 5 metros de altura, em uma área de quase 4 km², que guarda um clima de misticismo.
A calmaria e o silêncio do lugar são quebrados apenas pelo som do vento e o contato dos pássaros nativos da região amazônica. Quem já visitou o lugar conta que a caminhada por entre as ruínas é uma experiência de conexão com o sagrado, diante da imponência das rochas – algumas até desafiam a gravidade, como a pedra do equilíbrio – e da atmosfera criada durante a contemplação de cada detalhes dos paredões e das esculturas naturais.
O historiador Hiram Reis e Silva, que visitou a Cidade dos Deuses em janeiro de 2011, é um dos muitos que se encantaram com as belezas do lugar.
“O nome não poderia ser mais adequado, as magníficas formações de arenito impressionam pela diversidade de formas, impregnando o local de uma profunda energia telúrica e um forte apelo místico convidando à meditação e à contemplação das belas obras de arte moldadas, pessoalmente, pelas mãos do grande arquiteto do universo. Grandes monólitos de pedra quadrangulares dispostos horizontalmente um ao lado do outro lembram túmulos de antigos deuses”, avaliou o historiador.
As ruínas batizadas de Cidade dos Deuses, ficam dentro de uma área particular que é aberta à visitação pública, localizada a cerca de 34 km da zona urbana de Alenquer, acessível de carro até o portão de entrada, que mais parece com as ruínas do Coliseu de Roma.
De acordo com pesquisadores, as rochas em arenito [rochas constituídas por areias aglutinadas por um cimento natural] em formato de taça, helicóptero, pedra do equilíbrio, capela, parafuso, entre outras, foram esculpidas há milhões de anos pela ação dos ventos, d’água e de um processo de erosão. No local teria existido um rio caudaloso que esculpiu as curiosas formações rochosas.
Em algumas pedras há inscrições que podem ter sido feitas por uma civilização primitiva. Algumas inscrições parecem um calendário, como se alguém estivesse contando os dias. Há também a presença de pinturas rupestres.
A Cidade dos Deuses tem vegetação rasteira e cactos que não são comuns da Amazônia. A área, segundo relatos históricos, foi descoberta pelo topógrafo norte Americano Michael Douglas Blair, que esteve em Alenquer em 1953.
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